E se os professores dessem aulas e submetessem o currículo das suas
diferentes disciplinas a um trabalho de pares? E se os alunos tivessem ocasião
de conhecer os colegas de toda a escola ou de outras escolas durante o ano
lectivo? Esta proposta pode assustar e provocar inseguranças em professores,
novos e velhos, em alunos, novos e velhos, na instituição e nos encarregados de
educação. Mas é uma proposta.
Imagine-se a hipótese de os tempos lectivos serem administrados por ciclos
de ensino-aprendizagem. Imagine-se, também, que o primeiro período tinha 14
semanas de aulas, o segundo período 13 semanas de aulas e o terceiro período 9
semanas de aulas, como o ano lectivo de 2024/25. Agora, imagine-se a possibilidade
de, ao fim de 3 semanas de aulas, haver 1 semana de trabalho colaborativo que
envolvesse professores e alunos e trouxesse para a sala de aula todas as
referências curriculares ensinadas na instituição e, sob o signo da
interdisciplinaridade, da cooperação e da comunicação, resolvesse assuntos de
compreensão, aplicação e avaliação. Ou seja, imagine-se que os alunos do 6º ano
de escolaridade teriam a oportunidade de misturar a matéria leccionada em
História e Geografia de Portugal com a de Ciências Naturais ou que os alunos do
12º ano iriam misturar a matéria de Geografia, nomeadamente, o desenvolvimento
económico e social diferenciado, com matéria de Filosofia, por exemplo, as questões
de ética ou de filosofia política.
Tal proposta, no nosso ponto de vista, seria a realização concreta dos
processos de diferenciação pedagógica e curricular e substituiria práticas
escolares desligadas da realidade, como os actuais projectos de autonomia e
flexibilidade curricular, insípidos sob o ponto de vista metodológico e teórico.
Ao contrário
do que defende Nóvoa, quando sugere que se cumpra o segundo eixo da OCDE, o de
colocar a escola no centro da colectividade e organizá-la para que a
aprendizagem tenha aí o seu foco, evoluindo do direito à educação para o
direito à aprendizagem
O trabalho
colaborativo, que deve assentar em exercícios de especulação, interrogação e
desconstrução, fundamentais para testar os limites epistemológicos do currículo,
resolveria questões de interpretação do mundo real, retiraria o professor do
pedestal magistral e colocá-lo-ia, humildemente, entre seres humanos iguais, de
diferente grau de desenvolvimento cognitivo, teórico, epistemológico, técnico,
entre outros. Cumprir-se-ia uma didáctica adequada ao aluno e centrada nas suas
necessidades de desenvolvimento, fomentar-se-ia uma aprendizagem que estimulasse
a compreensão por interacção, comunicação e mediação social, aplicar-se-ia uma
diferenciação pedagógica com exercícios diferenciados que partiam da realidade.
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