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A mostrar mensagens de março, 2025

Indisciplina e violência: reflexões

A escola e a sua dinâmica social estão pejadas de psicologia, a ciência do capitalismo e do individualismo, e menos de análise social. Como tal, a análise do conflito é autonomizada e isolada de um colectivo mais vasto. Pensa-se a turma e as interacções microssociológicas e esquece-se a estrutura, composta pelo meio social, a família e os problemas que ela possui. Na escola não se pensa a tensão que existe entre autonomia individual e o determinismo social, porque não se pensa a acção social. Os modelos contemporâneos de análise da acção dos indivíduos nas estruturas renunciaram às categorias centrais ao trabalho de Marx e Engels e seus estudiosos. Esta verificação, que tem explicação histórica e se encadeia com reconhecidas lutas epistemológicas, sedimentou-se em grande parte nas academias com a substituição do paradigma de análise marxista, assente na inversão hegeliana a favor de uma matriz de análise materialista, e estabeleceu-se na literatura compreensiva da organização científic...

Reflexões em torno da Transposição Didáctica

  É curiosa a relação que temos com a ciência.  Quando Copérnico substitui o modelo geocêntrico de Ptolomeu pelo seu, heliocêntrico, a ciência prática, interessada na transformação do mundo, tomava o lugar da ciência teórica mais preocupada em compreendê-lo. De igual modo, Galileu, ao pôr em dúvida o estagnado conhecimento aristotélico, postulava um único conhecimento universal fundado na experiência e observação conducente à produção conceptual explicativa, já que o antigo modelo, que concebia as leis da Física como passagem de “potência” a “acto”, iludia as realidades físicas concretas, como o peso, por exemplo. Acresce que ao homem da Idade Média faltava a visão de infinito, acreditando que o mundo era um sistema fechado onde Deus ocupava o centro e a “teologia a forma suprema do saber” (Gusdorf, 1988, p. 26) . A revolução científica solidificou-se, institucionalizando as suas práticas discursivas e corporativas: a circulação de jornais, de revistas, o aparecimento e flore...

REFLEXÕES A PARTIR DE LARROSA

  Em 2006 Ana Nunes de Almeida e Maria Vieira davam conta do seguinte fenómeno: por causa do regime demográfico da sociedade portuguesa, a escolarização entra num processo de competição, uma vez que a percentagem de crianças no ensino é cada vez menor. Em simultâneo, o estado delega competências de gestão à escola, obrigando-as a reagir sobre o contexto local e a encontrar opções para o seu financiamento e funcionamento. Daí se explica a escolha de cursos de formação profissional e algumas opções disciplinares, gerando, como apontam as autoras, um mercado competitivo sob o qual se exerce pressão no domínio das escolhas (Nunes de Almeida & Vieira, 2006, p. 138) . O estado, dominado pelos princípios da economia liberal e das corporações, cabe-lhe apenas o papel de regular o seu funcionamento. Porém, ao assumir esta posição, fundamenta a reivindicação colocada em prática pelos que pretendem a liberalização do ensino em nome da “livre escolha”, analisada por Almerindo Afonso. Como ...

A UTILIZAÇÃO DE UM DIÁRIO DE TURMA COMO FERRAMENTA DE APRENDIZAGEM E SOCIALIZAÇÃO

  A ideia decorre da leitura e análise de um texto de Xosé Gonzalez (2002). O autor defende que as exigências disciplinares actuais apontam para a necessidade do enfoque multidisciplinar, capacitado para entender a complexidade social. Tal representa uma viragem metodológica de aproximação ao objecto. Esta posição enquadra-se no problema da aprendizagem a partir dos comportamentos evidenciados pelos alunos com quem trabalha, e que descreve: primeiro, a incompreensão das regras de civilidade básicas que resultam em indisciplina escolar; segundo, a apatia, desinteresse e desvalorização da acção de aprender, explicadas pelos problemas de relacionamento social e afectivo; terceiro e último, o estudo mecânico, imune à compreensão da realidade social (Gonzalez, 2002, p. 24) . Como tal, é necessário introduzir alterações nas didácticas de forma a que o aluno descubra o subjacente que não assoma na realidade superficial   (Gonzalez, 2002, p. 24) , mesmo enfrentando determinaçõe...

A economia das palavras e a tecnologia

O Diário de Notícias revelas que as crianças deixaram de dizer os verbos e acusam a tecnologia de ser um das culpadas. Segundo o jornal, as frases sem verbos principais são cada vez mais usadas por crianças do pré-escolar ao 1º ciclo. Especialistas e docentes alertam para as consequências da economia de palavras. Consultar o texto aqui 

A economia da língua

Uma notícia da CNN, a dar conta de um problema sentido nas escolas: a degradação da expressão e da correcção gramatical. Que problemas a tecnologia pode trazer se não for usada de forma pedagógica?  Consultar aqui https://cnnportugal.iol.pt/lingua-portuguesa/mae-posso-pao/mae-posso-pao-professora-posso-agua-as-nossas-criancas-estao-a-comer-os-verbos-e-isso-pode-ser-um-problema/20250216/67ae034ed34ef72ee44236b7