Em 2006 Ana Nunes de Almeida e Maria Vieira davam conta do seguinte fenómeno: por causa do regime demográfico da sociedade portuguesa, a escolarização entra num processo de competição, uma vez que a percentagem de crianças no ensino é cada vez menor. Em
simultâneo, o estado delega competências de gestão à escola, obrigando-as a
reagir sobre o contexto local e a encontrar opções para o seu financiamento e funcionamento. Daí se explica a escolha
de cursos de formação profissional e algumas opções disciplinares, gerando, como
apontam as autoras, um mercado competitivo sob o qual se exerce pressão no
domínio das escolhas
O problema da mercantilização do ensino gera um conjunto de
riscos como, por exemplo, a recusa de matrículas a alunos com um histórico
académico ruim para o ranking da escola ou o agrupamento das turmas de acordo
com um sistema pré-definido que inviabiliza a heterogeneidade
A sociedade do conhecimento e a ideia de que a educação ao
longo da vida é a solução, fundamentam-se nos princípios da relação entre
educação e trabalho, ou seja, promoção do capital humano num ambiente de
competição económica, inviabilizado pelas estatísticas de desemprego.
A crise actual, pelo menos, a crise mencionada por alguns actores sociais, é caracterizada por esta ideia: a escola não está preparada para o mundo pós-alfabético, que existe uma distorção entre o sistema educativo e o mundo do trabalho, e que a escola defende valores desactualizados, como o interesse publico e a igualdade, como diz Jorge Larrosa.
Porém, a escola é talvez um dos últimos repositórios da igualdade, apesar das críticas à homogeneização que promove. Defender a igualdade nos dias que correm é ser reaccionário, diz Larrosa. Com a privatização das escolas, foi introduzida a logica da competitividade, o primado da psicologia em detrimento da pedagogia, a formação dos professores nas novas formas de avaliar e ensinar, recorrendo às tecnologias, uma nova forma de negócio, para aprofundar o processo de ensino como uma questão individual.
A questão situa-se em manter uma ideia séria de educação num mundo
novo, afirma Larrosa, fundando na
necessidade comum de educar para o futuro e nos pressupostos da democracia. A
pluralização da escola está a torna-la irreconhecível e as disciplinas que
reflectem sobre o fundamento da educação e da escola estão a ser apagadas, em
detrimento da psicologia e da didáctica. Em simultâneo, como a escola se
converteu num espaço mercantilizado, os pais colocam os filhos na escola para
obterem um lucro posterior com a formação dos filhos. Por sua vez, a literatura científica, predominantemente a produzida nos estados unidos da américa, estimula a maximização do lucro desde tenra idade, com a estimulação
precoce.
A educação é algo que o professor faz, em contraciclo com as instituições que pretendem que ele faça uma administração dos recursos e do currículo gerado em instâncias internacionais, sem os criticar.

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