A questão inicia-se a pretexto do ensino diferenciado para alunos com dificuldades de aprendizagem, mas julgamos que podemos ir mais longe e pensar numa mancha horária que pegue nesta problemática e a solucione pela via da cooperação.
Gonçalves & Trindade (2010) defendem que os professores devem possuir
sensibilidade para entender que as características diferenciadas dos alunos
exigem uma prática diferenciada, partindo da hipótese geral de que, ao diferenciar a pedagogia e o currículo, se promove o sucesso escolar de alunos
com Dificuldades de Aprendizagem”
Os autores partem da base teórica do social-construtivismo, reforçando a importância da interacção e da proximidade no domínio do ensino e aprendizagem, tanto como valorizam o carácter reflexivo do professor na apreciação das circunstâncias concretas em que constrói a sua acção.
A literatura informa que o insucesso escolar deriva do conflito entre o saber transportado pelas crianças para a escola e o saber dos professores corporalizados na instituição. Construindo uma relação autoritária em que o professor estabelece os critérios de ensino e aprendizagem com base nos seus interesses magistrais, omitindo, por essa via, os interesses dos alunos no mesmo processo de obtenção de conhecimento, gera-se um fenómeno de incompreensão mútua que desemboca em insucesso e reprovação.
As
dificuldades de aprendizagem, muitas vezes, encobrem uma didáctica errada que
desvaloriza a mediação e o trabalho em pares em detrimento de uma atenção
excessiva à individualização
As
propostas de resolução deste problema passam pelo aumento das alternativas que
visam adaptar-se às “necessidades e expectativas particulares de cada aluno”
O processo de diferenciação deve criar situações flexíveis de aprendizagem que decorrem das necessidades especificas dos alunos e promovam espaços de cooperação entre professores e alunos e entre disciplinas. A interdisciplinaridade alicerça-se na preocupação de definir os currículos por competências e não por objectivos.
É um facto que os professores referem as dificuldades em segmentar as actividades de modo a atender às necessidades de alunos com dificuldades de aprendizagem. Isto implicaria alterar o formato das aulas, nomeadamente, o tempo devotado a cada disciplina. Poder-se-iam agrupar ou criar momentos de trabalho conjunto e interdisciplinar? Propomos esta mancha horária e explicamo-la de seguida.

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