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A UTILIZAÇÃO DE UM DIÁRIO DE TURMA COMO FERRAMENTA DE APRENDIZAGEM E SOCIALIZAÇÃO

 



A ideia decorre da leitura e análise de um texto de Xosé Gonzalez (2002). O autor defende que as exigências disciplinares actuais apontam para a necessidade do enfoque multidisciplinar, capacitado para entender a complexidade social. Tal representa uma viragem metodológica de aproximação ao objecto.

Esta posição enquadra-se no problema da aprendizagem a partir dos comportamentos evidenciados pelos alunos com quem trabalha, e que descreve: primeiro, a incompreensão das regras de civilidade básicas que resultam em indisciplina escolar; segundo, a apatia, desinteresse e desvalorização da acção de aprender, explicadas pelos problemas de relacionamento social e afectivo; terceiro e último, o estudo mecânico, imune à compreensão da realidade social (Gonzalez, 2002, p. 24).

Como tal, é necessário introduzir alterações nas didácticas de forma a que o aluno descubra o subjacente que não assoma na realidade superficial (Gonzalez, 2002, p. 24), mesmo enfrentando determinações curriculares que colocam obstáculos à compreensão das dinâmicas profundas que explicam o panorama vigente. Propõe-se que se relacionem os conteúdos com as experiências sociais do quotidiano, combatendo a assimilação pura de conceitos abstractos com o envolvimento nos problemas e a compreensão dos mesmos pela via da análise e da experiência, da aprendizagem social. Só assim os alunos entenderão a utilidade da disciplina e a aplicarão em contextos práticos.

Assim, fazendo uma leitura dos seus textos e recolhendo alguns dos seus subsídios didácticos, proponho a implementação de um caderno da turma. O caderno é adquirido no início do ano lectivo e estará sempre presente na sala de aula. Este será um documento aberto, de acesso livre, manuscrito, onde se podem colocar as seguintes componentes fundamentais para avaliar a pertinência da metodologia do processo de ensino:

a) as reflexões sobre o processo de avaliação, redigidas pelo docente e pelos alunos

b) a auto-avaliação, realizada a partir de uma reflexão individual que debate os critérios de avaliação e rubricas analíticas

c) as correcções dos elementos de avaliação

d)      as explicações dos alunos a eventuais actos de indisciplina

e)      as perguntas realizadas pelos alunos ao professor sob as finalidades da matéria

f)       outro elemento que a comunidade de aprendizagem ache pertinente colocar

O recurso a um elemento móvel e manuscrito assenta nos seguintes pressupostos:

a) constituir um elemento de avaliação das práticas docentes

b)      constituir um elemento de aprendizagem

c)      desenvolver competências de escrita, argumentação, análise, reflexão e réplica

d)      valorizar o livro e incentivar a leitura

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